Council for the Development of Social Science Research in Africa
Conseil pour le développement de la recherche en sciences sociales en Afrique
Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África
مجلس تنمية البحوث الإجتماعية في أفريقيا


14ªAssembleia Geral do CODESRIA
Conferência Científica: Criar Futuros Africanos numa Era de Transformações Globais: Desafios e Perspetivas

Prazo: 31 de Agosto de 2014

Number of visits: 1060

Dakar, Senegal, 15-17 de Dezembro de 2014

O Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África realizará a conferência científica da sua 14ª Assembleia Geral de 15 a 17 de Dezembro de 2014 em Dakar, Senegal, subordinada ao tema ‘Criar Futuros Africanos numa Era de Transformações Globais: Desafios e Perspetivas.’A conferência científica reunirá intelectuais de todas as disciplinas das ciências sociais, das humanidades e do direito, com o objetivo de explorar e propor ideias que possam conduzir a um continente com mais paz, democracia, prosperidade, em particular no contexto de transformações globais em curso.

Os participantes da conferência científica serão igualmente convidados a discutir o relatório preliminar sobre o estatuto de membro e a governação do CODESRIA preparado pelo Comité de Revisão liderado pelo Professor Thandika Mkandawire. Contudo, a sessão administrativa da 14ª Assembleia Geral não terá lugar em Dezembro de 2014, mas sim em Junho de 2015, de maneira a conceder ao Comité de Revisão o tempo suficiente para rever o seu relatório preliminar à luz das discussões a ter lugar na Conferência Científica de Dezembro, e permitir ao Comité Executivo trabalhar sobre as propostas nele contidas, e informar todos os membros do CODESRIA sobre as alterações à Carta baseadas nas recomendações do Comité de Revisão. Será durante a sessão administrativa da Assembleia Geral de Junho de 2015 que os membros elegerão um Comité Executivo, um Presidente e um Vice-Presidente.

O tema da 14ª Assembleia Geral é coerente com o compromisso de longa data do CODESRIA, dos seus membros e da comunidade mais ampla de investigadores no sentido de construir sociedades mais prósperas, mais democráticas e mas justas em África. Este compromisso levou o Conselho a produzir, ao longo dos anos, trabalho pioneiro sobre os desafios do desenvolvimento e da democratização em África. As assembleias gerais anteriores procuraram analisar as realidades sociais no continente de modo a propor alternativas críticas aos modelos dominantes de desenvolvimento. A 14ª Assembleia Geral também reunirá os melhores cientistas sociais do continente para darem a conhecer ideias sobre os futuros de África. A necessidade de um enquadramento que possa sustentar a construção de futuros africanos é tão crucial no contexto de uma globalização que ameaça reverter as conquistas de desenvolvimento social das últimas décadas, como o era há meio século.

A comemoração de cinquenta anos de independência há alguns anos atrás foi aproveitada em muitos países como uma oportunidade para reexaminar os sonhos da independência em confronto com as duras realidades da vida em África hoje. O número de africanos que vivem na violência (física, estrutural e simbólica) e na pobreza é enorme.Vinte anos depois do genocídio do Ruanda e do fim do apartheid, tem de ser colocada a questão sobre como inverter as tendências que, se não forem contidas, podem levar a uma desvalorização mais profunda da vida e a ameaças maiores à liberdade, dignidade e bem-estar humanos.Tendo isto em conta, há uma necessidade imperiosa de reinventar um futuro para nós e de redefinir os fundamentos sociais, culturais, morais, éticos e institucionais da cidadania e da pertença a nível local, nacional e continental, numa África livre, unida, democrática e próspera, em paz consigo mesma e com o mundo.

São extremamente diversas as transformações no seio das quais tem de ser realizada a conceção de futuros para a África.Há muitas forças complexas que operam globalmente e no continente e que simultaneamente criam e desafiam o surgimento de novas possibilidades de refazermos as nossas sociedades e de desenvolvermos as nossas economias sobre bases mais sustentáveis, equitativas e justas. Vale a pena mencionar algumas delas:

-  A globalização atingiu níveis nunca antes atingidos, e a governação global envolve uma ampla multiplicidade de atores e instituições que tornam a questão da soberania extremamente complexa. Desafios globais, como as alterações climáticas, e a natureza transnacional de muitas ameaças à segurança humana emergentes em África colocam a questão da capacidade do estado nação de responder aos desafios que se estendem para lá das fronteiras nacionais. Isto é parte da explicação da atenção dada ao regionalismo e ao pan-Africanismo como respostas para a globalização.

-  Em África, tem havido progressos importantes na construção de sistemas de governação democrática. Formas “velhas” e novas de organização e combate políticos e de envolvimento dos cidadãos na vida pública, usando modos de comunicação “velhos” e novos, conduziram a transformações dramáticas da esfera pública. Eleições envolvendo partidos diferentes normalizaram-se em muitos países, na medida em que alguns partidos da oposição estão mesmo dispostos a reclamar o adiamento de eleições de modo a possibilitar reformas institucionais que possam melhorar a qualidade dos sistemas eleitorais. Também tem havido uma descentralização significativa acompanhando as eleições, o que aumenta o potencial para uma maior participação cidadã. Nalguns casos, contudo, isto conduziu à violência como resultado da politização da etnicidade ou da emergência da xenofobia. A violência também se tem manifestado com frequência onde há concorrência relativamente ao acesso a recursos. Nalguns casos, assistimos a retrocessos sérios nos processos democráticos e as crises de governação permanecem demasiado comuns. As crises recentes no Mali, no Sul do Sudão e na República Centro-Africana lembram-nos o trabalho que há a fazer para tornar muitos estados e sociedades mais capazes de resistir a pressões políticas, económicas e sociais locais, regionais e internacionais. É fundamental aumentar a capacidade de resistência das sociedades africanas, dado o uso continuado,por parte dos poderes globais e regionais, da estratégia da resolução de conflitos para reforçar ainda mais o seu controlo económico e político sobre países problemáticos, através de intervenções militares “humanitárias”, incluindo a chamada Responsabilidade de Proteger (R2P em inglês).

-  Muitos países africanos revelaram um crescimento económico impressionante. Porém, isto foi acompanhado, muitas vezes, por desigualdades crescentes e altos níveis de desemprego.A ansiada transformação das economias africanas de fornecedoras de matérias-primas ao Norte em economias baseadas no desenvolvimento agrícola e industrial, apoiado num setor de serviços saudável, não se concretizou, na maioria dos casos. Apesar de o crescimento económico registado por alguns países africanos poder ser explicado em parte por melhoramentos na governação, muito do crescimento tem sido sobretudo resultado da exploração de recursos naturais pelas multinacionais, acompanhada pela alienação massiva da terra. Falta de acesso à terra e desemprego (especialmente dos jovens), o setor dos serviços sociais e de saúde em declínio, e uma maior dependência das mulheres para carregarem o peso da prestação de cuidado, têm sido caraterísticas de muitos países.

-  A China e outros países BRICS têm-se tornado mais afirmativos no seu papel económico no continente, tanto criando oportunidades para contrariar as condições pesadas dos “doadores” tradicionais, como abrindo potencialidades para o grande comércio. É discutível, porém, a medida em que estes países prolongam as mesmas formas de exploração dos poderes tradicionais, e o grau de vantagens que trazem aos países africanos.

O projeto de criar futuros africanos a partir do caldeirão de desafios e oportunidades que marcam a segunda década do século 21 tem de ser um exercício aberto assente no reconhecimento das histórias plurais do continente. Podemos continuar a pensar o desenvolvimento económico e social (incluindo o desenvolvimento agrícola e a industrialização) em África da mesma maneira que temos vindo a fazê-lo nos últimos cinquenta anos? Imaginar futuros para África também tem de ser feito a partir de uma perspetiva multidisciplinar e através de prismas de género, tendo em conta os direitos, as liberdades, as dinâmicas empreendedoras e a criatividade artística e cultural tanto de homens como de mulheres.

É, por isso, necessário ir para além da criação de múltiplos cenários possíveis, a partir dos quais se escolherá os “melhores”. Temos de procurar criar uma pluralidade de sociedades diversas mas bem integradas, marcadas pela abertura, pela inclusão social, por uma igualdade e prosperidade maiores que façam justiça às histórias e realidades ricas e diversas do continente.

Esta tarefa requer a adopção de uma abordagem holística no que concerne ao estudo do continente, objetivo que o Conselho tem perseguido desde a sua criação em 1973. Para forjar novas sociedades é necessário um trabalho comparativo que retire ideias historicamente informadas e empiricamente sustentadas da diversidade do continente, as quais devem ser colocadas em diálogo com trabalhos sobre a América Latina, a Ásia e outros continentes.

Tudo isto exigirá um compromisso renovado a favor da libertação da investigação, da vida e do pensamento académicos de uma forma geral da miríade de restrições, incluindo aquelas que são impostas pelos estados, os mercados, o patriarcado e outros sistemas de dominação, bem como por interesses e ideias globais dominantes. O CODESRIA tem combatido historicamente por esta liberdade. Tudo isto sublinha também a necessidade crucial de nós, africanos, reinventarmos a nossa identidade coletiva e o nosso futuro, e de renegociarmos o nosso lugar na comunidade internacional.

A Conferência Científica da 14ª Assembleia Geral do CODESRIA será organizada em sessões plenárias e paralelas. Um conjunto de académicos de referência oriundos de África, da diáspora e de outras partes do Sul global, bem como representantes de instituições parceiras no Norte, serão convidados a participar na conferência.

Aqueles/as que desejam participar na Conferência Científica devem refletir e apresentar propostas de comunicação sobre um ou mais dos seguintes temas:
1. Compreender as transições globais e regionais em curso
2. Conceber futuros africanos: perspetivas disciplinares, interdisciplinares e de género
3. A nova África num novo mundo: interações e conexões
4. Inovação tecnológica e o projeto de renovação social africana
5. Cultura popular africana e a imaginação de futuros alternativos
6. O lazer na sociedade em devir
7. Planificar o desenvolvimento: modelos económicos alternativos para os futuros de África
8. Para lá dos UDM:caminhos para uma comunidade desenvolvida de forma sustentável
9. Rumo a futuros mais democráticos: para que a governação funcione para todos os africanos
10. Justiça criminal internacional, Responsabilidade de Proteger (R2P), e soberania na África do futuro
11. Integração regional, e caminhos para futuros africanos
12. Neo-liberalismo e a financeirização dos recursos naturais em África
13. Reconstrução social na sociedade pós-neo-liberal
14. Conceber e construir sociedades resistentes e socialmente inclusivas
15. Para sociedades guiadas pelo conhecimento em África: ensino superior, investigação, e a transformação das economias e sociedades africanas
16. A diáspora Africana e a re-criação dos futuros africanos
17. Alterações climáticas e suas implicações para os futuros africanos
18. Apropriação de terra, direitos de propriedade e cidadania.
19. Abordagens inovadoras para o desenvolvimento agrícola e para a industrialização

O CODESRIA convida os interessados a apresentarem propostas de comunicação e de painéis sobre estas e outras questões relacionadas com o tema da Conferência Científica da Assembleia Geral. O prazo para a apresentação de propostas é 31 de Agosto de 2014.

As propostas de comunicação e de painéis, que têm de ser acompanhadas de CVs com contactos detalhados, devem ser enviadas por email para o seguinte endereço do CODESRIA: general.assembly@codesria.sn, com o nome do proponente e o sub-tema em que deseja que a proposta seja incluída escritos no assunto da mensagem. Todos os pedidos de informação devem ser dirigidos a:

CODESRIA General Assembly
Avenue Cheikh Anta Diop X Canal IV, BP 3304, CP 18524, Dakar, Sénégal
Tel.: +221 33 825 98 22/23 or +221 33824 03 74 Fax: +221 33 824 12 89
Website: http://www.codesria.org

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