7ª Escola de Verão CODESRIA/CASB em Estudos Africanos e Estudos de Área em África
Tema: Em homenagem a Mudimbe: Repensar a pesquisa a partir do pensamento africano
Local: Dakar, Senegal
Datas: 20–24 de julho de 2026
Prazo para candidaturas: 1º de maio de 2026
O Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África (CODESRIA) e o Centro de Estudos Africanos da Universidade de Basileia (CASB) convidam à apresentação de candidaturas para a 7ª Escola de Verão em Estudos Africanos e Estudos de Área em África. Esta Escola de Verão conta com o apoio da Fundação Oumou Dilly (Suíça), em colaboração com o CODESRIA, e tem como objetivo reforçar as ligações entre a comunidade académica do CODESRIA e os investigadores da área de Estudos Africanos na Suíça.
O principal objetivo da Escola de Verão é o de promover, incentivar e fortalecer abordagens interdisciplinares na pesquisa sobre África e outras regiões do mundo a partir de perspetivas africanas. O programa tem como propósito enfatizar os Estudos Africanos como parte integrante dos Estudos de Área, procurando identificar temas teoricamente, conceptualmente e metodologicamente relevantes para a análise intelectual de África enquanto objeto de conhecimento. Pretende, igualmente, avaliar a contribuição de África para a produção científica global, explorando, simultaneamente, a aplicabilidade dessas reflexões às perspetivas africanas sobre outras regiões do mundo.
Objetivos da Escola de Verão:
- Proporcionar a estudantes de doutoramento e pesquisadores em início de carreira, a oportunidade de contribuir criticamente, sob a orientação de académicos seniores, com novas questões teóricas, conceptuais e metodológicas relacionadas com os Estudos Africanos, .
- Estimular os participantes a refletirem sobre a relevância potencial das epistemologias e ontologias africanas para o aperfeiçoamento de ferramentas teóricas, conceptuais e metodológicas nas suas disciplinas e em trabalhos interdisciplinares.
- Fomentar entre os participantes um sentimento de pertença a uma comunidade de pesquisadores comprometidos com uma produção académica informada por perspetivas africanas.
- Apoiar pesquisadores emergentes na consolidação dos Estudos Africanos como um campo de pesquisa central na produção de conhecimento em África e no mundo.
A Escola de Verão constitui um espaço para jovens pesquisadores em ciências sociais e humanas explorarem os desafios e as oportunidades associados ao equilíbrio entre padrões académicos de excelência e impacto social da pesquisa em África. Os participantes da Escola de Verão serão convidados a refletir sobre a forma como os seus trabalhos podem contribuir para transformações sociais, reforçar as suas competências teóricas e metodológicas em contextos de colaboração interdisciplinar e transdisciplinar e posicionar a própria pesquisa em diferentes contextos académicos e de políticas públicas a partir de uma perspetiva africana.
Nota conceptual
O falecimento de Valentin-Yves Mudimbe, em 22 de abril de 2025, marca o fim de um percurso intelectual extraordinário e constitui um convite poderoso para revisitar a sua obra e repensar as questões que ela suscita. Como um dos pensadores africanos mais influentes, Mudimbe não apenas apresentou uma crítica profunda aos sistemas de conhecimento herdados do colonialismo, como também deixou um desafio fundamental: imaginar novos caminhos para a pesquisa sobre África e a partir de África, colocando a criatividade conceptual africana no centro da produção de conhecimento.
O legado intelectual de Mudimbe abrange diversos campos — literatura, filosofia, história e antropologia, entre outros. Os seus conceitos, em particular “a biblioteca colonial” e “a invenção de África”, revelam o quadro epistemológico através do qual África foi interpretada, enquadrada e frequentemente limitada nos sistemas globais de produção de conhecimento. No entanto, para Mudimbe, a crítica desses sistemas era apenas um ponto de partida. A sua ambição mais profunda era abrir um espaço intelectual onde o pensamento africano pudesse emergir como um recurso essencial para a investigação global.
Esta Escola de Verão convida uma nova geração de investigadores a confrontar-se com a seguinte questão fundamental: de que forma os Estudos Africanos podem contribuir não apenas para um melhor conhecimento de África, mas também para a renovação das próprias ferramentas de produção de conhecimento — conceitos, teorias e métodos?
Partindo das bases estabelecidas pelas edições anteriores das Escolas de Verão, que, em conjunto, redefiniram o lugar dos Estudos Africanos no repensar da conceção da pesquisa, da transferência de conhecimento e da relevância social da investigação, a edição de 2026 procurará levar esta reflexão um passo mais além. Aproveitaremos esta oportunidade para explorar como os Estudos Africanos podem tornar-se verdadeiramente uma disciplina criativa e transformadora a partir de dentro, integrando epistemologias, filosofias e críticas africanas no cerne da prática académica. Os participantes serão encorajados a refletir criticamente sobre os seus projetos de doutoramento em relação a este quadro.
Nos seus textos conceptuais, os candidatos poderão abordar algumas das seguintes questões orientadoras:
- Como operam os conceitos disciplinares herdados quando aplicados aos contextos africanos?
- De que forma a sua pesquisa reproduz, questiona ou desafia a noção de “biblioteca colonial” proposta por Mudimbe?
- O que revelam as críticas africanas do conhecimento sobre os pressupostos que estruturam os nossos métodos de pesquisa?
- De que maneira as tradições intelectuais africanas podem contribuir para a reinvenção das ciências sociais e humanas?
- O que significa trabalhar não apenas sobre África, mas a partir do pensamento africano?
- Que aspeto do legado de Mudimbe considera mais desafiante ou por resolver, e porquê?
Ao enquadrar estas questões na obra de Mudimbe e de outros pensadores africanos, a Escola de Verão pretende inspirar uma transição dos Estudos Africanos enquanto objeto de pesquisa crítica para os Estudos Africanos enquanto fonte de inovação conceptual. Não se trata simplesmente de um apelo à descolonização num sentido abstrato. É um convite para reconstruir e ir além da crítica, rumo à tarefa desafiante, mas estimulante, da reconstrução conceptual. É um apelo para imaginar os Estudos Africanos não como um campo marginal ou auxiliar, mas como um espaço de produção teórica com relevância muito além do seu âmbito geográfico.
Não se trata apenas de reler pensadores africanos, mas de inovação conceptual: desenvolver novas categorias e métodos inspirados nas línguas, ética, cosmologias e epistemologias africanas. Esperamos criar um espaço onde os estudantes de doutoramento se sintam capacitados para experimentar intelectualmente, para pertencer a uma comunidade de académicos comprometidos com o rigor crítico e a assunção de riscos conceptuais, e para se verem não apenas como pesquisadores de África, mas como pensadores de África — independentemente da sua localização. Pretende-se também que seja um fórum intelectual que promova o diálogo entre as obras fundamentais de pensadores africanos, como Mudimbe, Hountondji e Wiredu, e as vozes emergentes de uma nova geração de académicos em todo o continente e na diáspora, fomentando a continuidade, a renovação e a imaginação coletiva no pensamento africano.
Em honra das contribuições marcantes de Valentin-Yves Mudimbe, esta Escola de Verão não só comemora o seu legado intelectual, como também promove ativamente a sua visão de Estudos Africanos transformadores. Ao centrar as epistemologias africanas e promover um envolvimento crítico com os quadros disciplinares herdados, procurará catalisar uma mudança paradigmática da crítica para a inovação conceptual neste campo. Este esforço desafia os académicos a reconceber os Estudos Africanos como um campo dinâmico de produção teórica com significado global, concretizando assim o apelo de Mudimbe para criar novos espaços em que o pensamento africano molde e revitalize as ciências sociais e as humanidades.
Procedimentos de Candidatura
A Escola de Verão está aberta a estudantes de doutoramento e pesquisadores em início de carreira afiliados a instituições de ensino superior no continente africano. Estudantes de doutoramento de universidades suíças são igualmente encorajados a candidatar-se.
Serão consideradas as candidaturas de estudantes de doutoramento nas áreas das Ciências Sociais e das Humanidades. Será dada preferência aos estudantes que se encontrem no primeiro ou segundo ano do doutoramento.
Os custos de viagem, alojamento e alimentação durante a Escola de Verão serão cobertos para participantes provenientes de instituições africanas.
Documentos de Candidatura
As candidaturas devem incluir:
- Carta de motivação (máx. 500 palavras).
- Nota conceptual (máx. 2500 palavras) que destaque: (a) o tema em que está a trabalhar, (b) de que forma a sua pesquisa se insere nos esquemas conceptuais e epistemológicos africanos ou do Sul Global em geral e no trabalho de Mudimbe em particular, (c) as suas expectativas em relação à Escola de Verão, e (d) um livro relevante para o tema que tenha lido ou que gostaria de ler para discussão na Escola de Verão.
- Curriculum Vitae detalhado.
- Uma carta de recomendação da instituição de afiliação do/a candidato/a ou do/a seu/sua orientador/a.
- Cópia do passaporte.
- Comprovativo de inscrição no doutoramento ou cópia do diploma de doutoramento.
Candidaturas incompletas não serão consideradas.
Todas as candidaturas serão submetidas a verificação de plágio e deteção de conteúdos gerados por inteligência artificial.
Os candidatos deverão utilizar o o seguinte link https://codesria.org/summer-school-application-form/ para submeter as suas propostas.